Cenários de uma Investigação.

A edição Especial n.o 100+5, de setembro de 2009 de ORIUNDI tem como artigo de fundo :


"Cenários de uma Investigação", em português, à pág. 9, para saber mais clique aqui...

"Sceneggiatura di una Investigazione", em italiano, à pág. 14, para saber mais clique aqui

sobre uma INVESTIGAÇÃO NO CONSULADO ITALIANO DE SÃO PAULO, na coluna mais esperada e lida da comunidade italiana, “A Voz da Comunidade”.

Com certeza o artigo será lido avidamente pela comunidade local, mas não só  por ela, e será discutido e comentado profundamente se forem  confirmadas as numerosas pistas e as fortes suspeitas apresentadas no artigo, que fala de uma suposta máfia da cidadania dentro do Consulado italiano, onde alguém age de modo a dificultar ao máximo o reconhecimento da cidadania italiana para forçar as pessoas a “comprar” a cidadania por preços que, fala-se, atingem  10 mil euros cada.

Este seria o preço a ser pago pelas pessoas que por motivos profissionais teriam sua carreira facilitada ao substituir o passaporte verde brasileiro pelo “passaporte vermelho” italiano.

E’ já bastante conhecido o fato que existem centenas de milhares de famílias na fila de espera; que os funcionários do Consulado são insuficientes para processar todos esses pedidos; que a previsão para o atendimento é dada em várias dezenas de anos de espera. E’ também por isso – mas não apenas, óbvio – que aqueles fatos se tornam tão repulsivos e reprováveis.

As “chamadas” no corpo do artigo são claras e expõem o âmago do problema:

- para quem o Consulado concedeu 9.505 cidadanias em 2008 e 6.500 em 2007, se a fila de espera permaneceu rigorosamente parada de julho de 2005 a janeiro de 2009?

- como justificar que desde o início da criação da fila em 2002, 39% dos números não foram utilizados (uma média de praticamente 4 inscrições vazias em cada 10) e que mais tarde em 2007, quando foi publicada uma relação atualizada, aqueles 7.440 lugares vazios foram preenchidos por pessoas até então desconhecidas?

- como explicar que para 18% dos inscritos, isto é 3.432 vezes, houve mudanças de numeração, com grande saltos para lugares melhores na “ordem cronológica” de modo a facilitar o atendimento da solicitação, sem ter que esperar por dezenas de anos se tivesse sido respeitada a ordem cronológica de inscrição?

- como explicar o desaparecimento de vários nomes na fila de espera? Quem entrou no lugar deles?

- como justificar que para 290 inscritos, junto com uma diminuição drástica do número de inscrição, o “dante causa” original, perfeitamente identificado com nome e sobrenome foi substituído por um “dante causa” genérico não identificado?

O editor Vezio Nardini apresenta o artigo como se fosse um filme documentário, com saltos no passado de modo a tornar mais leve a longa estória e atrair a atenção do leitor, como em um filme de suspense policial que explica, com riqueza de detalhes, como descobriram-se muitos fatos deveras estranhos no seio de duas filas, tornadas públicas em épocas diversas mas que deveriam ser rigorosamente iguais, fatos estes que induzem à suspeita de que um volume tão enorme de irregularidades não pode ser o resultado de simples distrações, e que leva a pensar que haja um propósito suspeito atrás de tudo isso.

Uma verdadeira investigação foi iniciada em novembro de 2008 com a indignação desencadeada pela notícia de que tinha sido concedida a cidadania italiana a uma das atrizes do momento, ignorando-se para isso uma série de regras e princípios estabelecidos pelo Consulado italiano que deveriam valer para todos. E com isso ultrapassando milhares e milhares de outros núcleos familiares na fila de espera o que, à época, representava várias dezenas de anos de espera a mais.

Os flash-back do documentário apresentam também uma idéia do tratamento rude dos funcionários do Consolado para com os cidadãos; relatam a proposta feita por Vezio Nardini, na veste de Conselheiro do Comites – Comitê dos Italianos no Exterior – ao ex-embaixador, de aceitar um oferecimento de venda de uma cidadania para armar uma tocaia ao funcionário corrupto; contêm as perguntas do Nardini dirigidas ao Consulado,  que nunca obtiveram uma resposta; tratam do artigo satírico de Nardini, agora como editor do jornal Oriundi, sobre o caso da acima citada atriz; repete perguntas que deixaram furioso o Consul e a direção do Comites, tanto que este organismo como vingança emitiu um parecer completamente negativo acerca do jornal Oriundi, parecer este orquestrado pelo deputado Fabio Porta (pertencente ao Partido Democrático italiano e o único representante “brasileiro” no Parlamento italiano) completamente sem fundamento e diametralmente oposto aos pareceres emitidos nos anos anteriores.

O Cônsul garante que tudo está em ordem, segundo as regras vigentes, e a maioria dos conselheiros do Comites não o contestam, pelo contrário, o elogiam.

O editor Vezio Nardini conclui informando que algumas pessoas que se sentem prejudicadas por estes fatos pretendem apresentar uma denúncia junto ao Ministério das Relações Internacionais  italiano e o Ministério Público de Roma, para que possa ser iniciada aquela que talvez possa receber o nome de “Operação Passaporte Limpo”, a exemplo da famosa “Operação Mãos Limpas”.  (v.n.)